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Blog de mauromarcel
 


Depois de muito e muito tempo volto a postar.

havia perdido a senha deste blog, acreditam?

Daquelas coisas que só acontecem comigo... sabe como é. Egocêntrico sempre.

Então, mãos à obra. Vamos por mais poesia em nossas vidas.



Escrito por mauromarcel às 22h16
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Aconteceu no dia 26 de julho de 2008. Aconteceu na periferia de Guarulhos. Acontecemos...

Escrito por mauromarcel às 23h00
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Durante o 3º Sarau Cultural de Guarulhos. O maior evento cultural da cidade. Produzido pelo Cursinho Comunitário Pimentas e coordenado por mim. Uma grande honra, um sonho enorme...

Escrito por mauromarcel às 22h55
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O que tenho

Tenho poesia, tenho palavras, tenho tristeza, tenho mérito, não tenho lágrimas, tenho vontade, tenho sorrisos, tenho cumplices, tenho paple toalha, tenho casa arrumada, tenho milhares de milhas acumuladas, tenho o que sabemos bem, não tenho porque continuar, não tenho porque parar, não tenho as vozes, as vezes, os escândalos que fui, que serei, muito mais aqui. Em algum outro lugar terei paz. Tenho mais. Tenho os olhos abertos e os passos nos meus sonhos. Sou maior que eu mesmo. Apenas continuarei sendo. Adeus...



Escrito por mauromarcel às 22h43
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I 

meus versos são mortalhas

meus versos são canalhas

meus versos são aquilo que não vejo

 

meus versos são lavados

meus versos são guardados

meus versos são embalados em beijos

 

II 

a pétala cai na gota

a gota cai no grão de areia

o grão de areia cai na estrela

a estrela cai no mar

o mar cai na praia

a praia cai na terra

a terra cai aos pés

os pés caem no homem

o homem cai na mulher

a mulher cai na moda

a moda sempre cai

 

III 

o cachorro vigia

o outro cachorro contra

as agressões do mundo

 

o animal

recebe ataques

dos quatro cantos e no fundo

 

só quer sonhar

só quer ser belo

 

só quer ser tão bom quanto o homem

 

o pobre cão se arde em si

só quer ser forte

e a força o some

 

o vira-latas

só quer sonhar

só quer ser belo

só quer ser tão bom quanto o homem

 

IV 

o amor

é a aceitação

de alguém

mais que a si

além de si

transfigurando a si

em dó,

ré, mi



Escrito por mauromarcel às 22h37
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Depois

 

O que você faz depois que já leu todas as leituras obrigatórias?

Depois de ter discutido filosofia

E ter escutado todos os tipos de música?

 

Você já foi a todas as festas

Compareceu a todas as reuniões sociais

Alegrou-se ao pôr-do-sol

E embebedou-se de todas as formas de felicidade.



Escrito por mauromarcel às 23h11
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O que você faz depois?

Depois que o paraíso resulta inútil.

Quando não há mais lugares inéditos

Pessoas inéditas

Depois que até mesmo o mais belo poema se peca.

 

Quando os navios naufragam sem partir

Quando você não precisa mais voltar

Quando não precisa mais se iludir.

 

Porque é tempo de vida na realidade

É instante de hoje

Porque só o agora é real

O “às vezes” é sempre

E o “sempre” é ilusão.

 

O que você faz quando o amor não é mais o Amor?

E até sua cidade não é mais a mesma?

Sua casa não é a mesma,

Você não é o mesmo.

 

O que você faz quando todos os lados da cama são o mesmo lado.

Quando todas as camas são a mesma cama.

O que você faz depois que a calma resulta inútil?

Depois que a pressa resulta inútil;

 

O que você faz quando os ídolos se quebram?

Os mitos descobrem-se mitos,

E não há religião alguma

Religião alguma em que confiar.

 

Quando nem mesmo há em que duvidar.

 

O que você faz quando a ciência não abre mais horizontes?

Quando a arte não os abre mais.

 

Quando tudo é ópio ou dor,

Quando nem se é espinho nem flor.

 

Quando é tempo de pedras

Musgo, atrofiação.



Escrito por mauromarcel às 23h11
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O que você faz depois de tudo isso?

 

Depois de olhar no espelho e descobrir outra pessoa.

Depois de ir ao jardim e não ver flores.

Depois de ler seus poemas e não ver poesia.

Depois de ver sua vida e não ver vida.

 

Depois de pular e não encontrar o teto.

Depois de procurar e não ter ninguém por perto.

Depois de fazer o errado sabendo o que é certo.

Depois de ir torto num caminho reto.

 

Todas as janelas estão fechadas

E não há portas por onde passar.

Você procura sua claustrofobia, mas até ela o abandonou.

Você jogou e perdeu

Perdeu, mas jogou.

 

O que você faz depois do desespero?

Depois da esperança – que é o desespero sem nenhuma esperança.

O que você faz depois do parto?

Depois de estar farto de falsas lembranças.

 

O que você faz depois de beber os artificiais?

Provar dos corantes, tocar com seu paladar os acidulantes

Depois de esvaziar os instantes.

Decorar sua casa com duendes,

Bruxos, pirâmides.

Depois de queimar velas, incensos,

Untar-se com ungüentos,

Beber água benta.



Escrito por mauromarcel às 23h03
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E depois de tudo ainda ser o mesmo.

 

O que você faz depois de descobrir as mentiras das verdades

As verdades nas mentiras

E depois de desistir de entender o mundo nessas condições?

 

Depois de ver discos voadores falsificados

Depois de saber que o Walt Disney Foi congelado

Depois de tocar em sangue alheio coagulado

Depois de ouvir tiros soando no quarto ao lado

Depois de ter um filho abortado

 

Depois de ser abduzido

E logo após esquecido

Ser lembrado.

 

O que você faz depois de cessarem os abraços?

Romperem-se os laços

Secarem os lagos

E naufragarem os barcos.

 

Você leu Goethe

E entre Fausto e Mefistófeles se viu neste.



Escrito por mauromarcel às 23h02
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Em Shakespeare foi Iago.

Em Jô foi o Diabo.

 

Suas asas estão mortas para a vida

Como voará agora?

Seus dentes espalhados já não mordem

Seus dedos já não podem acusar.

 

¿Será que seu coração ainda está?

 

O que você faz depois de usar viúvas?

Constituir família

Educar seus filhos

Resumir-se.

 

O que você faz depois de prostituir-se?

 

Agora que você sabe ser

O resumo do resumo do resumo de uma frase.

O que você faz?

 

O que você faz depois daquele porre?

Você sempre estará vivo?

Será que um dia morre?

 

Vê a chuva cair

O avião passar

O filme entreter

 

E você ainda é você.



Escrito por mauromarcel às 23h01
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Você já acreditou em anjos

Já entrevistou espíritos

E agora sem casa só quer ter onde encostar.

 

O que você faz depois de dormir?

Você sonha?

Você acorda?

 

Você desperta.

 

E ainda é o mesmo.

Correndo pelas ruas em um dia chuvoso

Marcando o tempo em seu pulso.

 

No seu coração bate o mundo

Aos seus olhos: tudo.

 

O que você faz agora que sabe

E é impossível esquecer?

Agora que você conhece a liberdade e ela não o libertou.

 

Procura um sentido

Um amigo

Num peito aberto em flor.

 

Procura por tudo

E em tudo: dor.

 

Mauro Marcel



Escrito por mauromarcel às 23h00
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Leia "A divina tragicomédia humana".

 

 



Escrito por mauromarcel às 13h31
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Escrito por mauromarcel às 00h00
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Lava

 

O que penso se cala

O que como se cospe

O que amo odeia

O que empresto se dá

O que faço se deixa

O que jogo se dorme

O que falto, abunda

O que navego afunda

O que opero inunda

O que fermento destila

O que ponho se tira

O que planto se colhe

O que vivo se morre

O que consumo escorre

O que enterro balança

O que mostro se dança

O que escondo condena

O que fumo se pena

O que peco martiriza

O que naufrago vai na brisa

O que invento, não, nada

O que pinto apaga

O que encontro se perde

O que visto se despe

O que uso descarta

O que é moda atrapalha

O que é tudo são pragas

O poema são favas

O que é certo acaba

O que é homem é lava

Se é mentira abraça.

 

(Mauro Marcel)



Escrito por mauromarcel às 20h49
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o não-purgatório

 

há um céu

um inferno

e um lugar que não é nem um nem outro

 

é para lá que iremos

 



Escrito por mauromarcel às 15h52
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